FMI considera que bancos portugueses têm demasiadas agências e funcionários

O Fundo Monetário Internacional considera que o setor bancário europeu está sobredimensionado em alguns países, referindo que em Portugal há demasiados funcionários e balcões e que é necessário reduzir o crédito problemático em balanço.

No Relatório de Estabilidade Financeira Global, hoje conhecido, o FMI considera que houve “progressos consideráveis” nos últimos anos no setor bancário europeu, tendo agora os bancos mais capital (citando inclusivamente as recentes recapitalizações em Portugal e também em Itália), regulação mais exigente e melhor supervisão e continuando os esforços para adaptar os modelos de negócio, até ajudados pela melhoria da economia.

Contudo, avisa, tal ainda não foi suficiente para “restaurar a rentabilidade” dos bancos de forma sólida, permanecendo muitos desafios.

“Apesar das medidas que estão a ser tomadas para combater os problemas de rentabilidade, são necessários mais progressos para reduzir o ‘overbanking’ nos países com maiores desafios”, lê-se no relatório.

A expressão inglesa ‘overbanking’ significa a que o setor bancário está sobredimensionado, podendo ser pelo excesso de instituições ou por o setor ter um peso em ativos que não corresponde à economia em que opera, estando em sobrecapacidade.

Segundo o FMI, esse ‘overbanking’ afeta as receitas dos bancos, uma vez que afeta a capacidade de cada instituição conseguir conceder empréstimos bons, comprimindo preços e margens, e ainda a eficiência operacional.

Em França, refere, o setor bancário é grande face à economia, já a Áustria e a Alemanha têm um elevado número de bancos, com baixa concentração.

Em “Itália, Portugal e Espanha existe um grande número de agências e de pessoal em relação aos ativos bancários”, acrescenta.

A instituição sediada em Washington fala ainda do elevado crédito problemático e não produtivo que há nos balanços dos bancos, considerando que em Portugal e Itália se notou alguma redução face aos picos atingidos, mas que há “mais progressos têm de ser feitos”.

Os documentos Programa de Estabilidade e Plano Nacional de Reformas, entregues pelo Governo português no parlamento na semana passada, consideram precisamente que o problema mais premente do sistema financeiro português é o elevado crédito em risco, já que “coloca entraves à capacidade de os bancos atraírem capital, configura um risco relevante para a estabilidade financeira e limita a capacidade do sistema bancário financiar a economia”.

O Governo anunciou, assim, que vai executar um conjunto de medidas para promover a redução do elevado montante de créditos em risco detido pelos bancos que operam em Portugal, que era de “aproximadamente 30,5 mil milhões de euros” no final de 2016.

Também na semana passada, numa conferência com jornalistas, a Standard & Poor’s admitiu vir a melhorar o ‘rating’ que atribui a Portugal (atualmente ‘lixo’) se o país conseguir “baixar o volume de NPL [‘non-performing loans’ ou crédito problemático]” dos bancos e se “o crescimento económico for melhor do que o esperado”.

Ainda quanto ao relatório do FMI, são referidos os riscos sistémicos na banca, com a entidade a considerar que se “podem reavivar” quando nos bancos se junta a baixa rentabilidade, a falta de capitais privados e o excesso de crédito problemático e não produtivo.

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